Memorial do Holocausto
BERLIN

Se você está montando um roteiro por Berlim, o Memorial aos Judeus Mortos da Europa certamente já apareceu na sua tela. Ele fica bem ali no centro, colado no famoso Portão de Brandemburgo. O memorial é composto por exatos 2.711 blocos de concreto (chamados de estelas). E aqui começa o primeiro segredo: eles não têm o mesmo tamanho. Alguns são quase da altura do chão, enquanto outros passam dos 4 metros de altura. O chão também é totalmente ondulado e inclinado. O arquiteto responsável, Peter Eisenman, fez isso de propósito. Conforme você vai entrando no labirinto, os blocos vão subindo, a luz do sol vai sumindo e o barulho do trânsito de Berlim desaparece. A sensação física é de isolamento, aperto e desorientação. É a história se transformando em uma experiência sensorial. Você se sente pequeno e um pouco perdido. O arquiteto planejou isso para que possamos nos sentir perdidos e para pararmos e refletir sobre a angústia das vítimas. A maior mancada de quem visita o memorial é andar apenas por cima dos blocos e ir embora. Escondido bem embaixo dos seus pés, existe um Centro de Informações subterrâneo que é gratuito e absolutamente visceral. Se o lado de fora representa a imensidão cinza da tragédia, o subsolo traz os rostos e os nomes das pessoas. Lá dentro você encontra: Cartas reais: Mensagens desesperadas jogadas de trens por pessoas que sabiam para onde estavam indo. Diários e fotos: Detalhes do cotidiano de famílias inteiras que foram apagadas da história. A Sala dos Nomes: Uma sala escura onde os nomes e as mini-biografias de milhões de vítimas são lidos em voz alta, um por um. Para ler a lista inteira, o sistema demoraria mais de 6 anos!
Anos atrás, um artista alemão criou um projeto polêmico chamado Yolocaust, onde ele pegava fotos de turistas sorrindo, pulando ou fazendo malabarismo nos blocos do memorial e montava montagens dessas pessoas em cima de fotos reais de campos de concentração. O impacto foi tão grande que hoje em dia todo mundo pensa duas vezes antes de subir nas pedras. Portanto, prefira fotos de costas caminhando, ou retratos mais pensativos, em respeito à memória do espaço.